Texto traduzido e adaptado.
Artigo original escrito por: Michael Simmons no linkedin.
Se você é um escritor, líder, coach ou pai, você intuitivamente já sabe o que vou falar…
Ensinar outras pessoas é a melhor forma de aprender.
O que você provavelmente não sabe é: porquê?
Dezenas de estudos nas útimas décadas na ciência do aprendizado nos ensinaram duas coisas:
- O poder de aprender ao ensinar é real. É tão poderoso que pesquisadores deram um nome —The Protege Effect.
- Agora, temos um entendimento muito melhor do porque O Efeito Protege é tão poderoso e como funciona.
#1) Quando você aprender algo com a intenção de ensinar depois, você aprende o assunto mais profundamente.
Como escritor, tudo que eu aprendo é um material em potencial para um artigo ou um curso. Então sempre que eu leio eu me faço duas perguntas:
- O que é tão interessante e de valor que vale ser ensinado aos outros?
- Como eu posso explicar esse conceito para alguém?
Em dois experimentos, participantes foram instruídos a estudar um material. O primeiro grupo foi avisado que eles deveriam ensinar o assunto a outro estudante antes de realizaram a avaliação. O grupo dois foi apenas avisado da avaliação.
Os estudantes que foram avisados que deveriam ensinar a alguém:
- Tiveram melhor recordação do assunto
- Acertaram mais questões sobre o assunto
Tenha em mente que os participantes nunca tiveram que realmente ensinar o assunto a alguém. Apenas a expectativa foi o suficiente para criar o efeito.
#2) Ensinar alguém revela as lacunas no seu conhecimento
“Se você acha que sabe tudo, você não aprenderá nada. Se você acha que não sabe nada, você aprenderá tudo”
Você já achou que sabia de um assunto, mas se enrolou na hora de explicar a alguém?
Isso na verdade uma coisa boa.
Ensinar revela as lacunas no nosso conhecimento. Quando obtemos ciência dessas lacunas, nos tornamos mais humildes e perguntamos mais questões.
Décadas de pesquisas no campo de perfomance mostra que ser capaz de reconhecer os próprios erros é uma tarefa crítica para se tornar um dos melhores. Anders Ericsson, um dos pioneiros nesse campo de pesquisa, nos explica o porque no seu livro Peak:
“Vários pesquisadores tem examinado o que diferencia os melhores músicos dos piores, e uma das maiores diferenças envolve a qualidade das representações mentais que os melhores criam. Quando praticando uma nova música, músicos iniciantes e intermediários não conseguem ter uma ideia clara de como a música deveria soar, enquanto o músico avançado tem uma representação mental da música mais detalhada, facilitando sua prática e perfomance. Eles usam essas representações mentais para prover um feedback de si mesmo, dessa forma, sabem o que precisam fazer de diferente e o que melhorar para obter uma perfomance superior. Os iniciantes e intermediários podem até ter uma representação bruta da música sabendo quando acertou ou errou uma nota, mas necessitam do feedback de algum professor para identificar as falhas mais sutis e suas fraquezas.”
No geral…
- Para melhorar, precisamos reonhecer nossos erros.
- Quando somos iniciantes em um assunto, pode ser mais difícil notar algum erro e assim dificultar seu desenvolvimento.
- Consultar professores é uma excelente forma de obter feedback rápido no nosso conhecimento.
#3) Quanto mais você consegue ensinar uma criança, melhor você sabe
“A pessoa que diz que sabe o que pensa mas não consegue se expressar, geralmente não sabe o que pensa.” — Mortimer Adler
Nem todos os ensinamentos são criados da mesma forma. Quando você ensina um conceito a alguém da sua área com mesmo nível de habilidade, você pode usar termos para ensinar mais rápido. Entretanto, quando você ensina uma criança, você precisa fazer algumas coisas diferentes:
- Primeiro, você precisa ter um conhecimento profundo do que você esta falando para passar a ideia principal.
- Você não pode usar termos específicos ou a criança não vai entender.
- Você precisa condensar a explicação para manter a atenção da criança.
Imagine o fogo por exemplo. Todos nos sabemos o que é fogo. Certo?
Talvez não.
Tente explicar o que é fogo para uma criança. Logo você perceberá que não sabe realmente o que é.
Você provavelmente vai se enrolar nas próprias palavras e falar coisas do tipo: “É quente. Meio avermelhado e pode se queimar se tocar nele”
Agora, considere como um dos cientistas mais bem sucedidos do século 20, vencedor do prêmio Nobel, Richard Feynman, explicou o que é fogo.
Condensar ideias também força você a repensar completamente a forma como você vai ensinar. Você não pode simplesmente replicar o que lhe foi ensinado ou o que você leu. Você precisa transformar a ideia na sua cabeça. Isso significa que você deverá fazer o uso de mais metáforas e histórias.
O matemático e filosófo francês Blaise Pascal captou essa ideia:
“Eu fiz isso mais demorado que o normal porque eu não tive tempo para fazer mais breve.”
#4) Ensinando você faz uso naturalmente da repetição espaçada
Considere os palestrantes do TED. Eles passam meses condensando anos de conhecimento em um discurso de 18 minutos. Eles recebem feedback diversas vezes e é esperado que treinem o discurso até que tudo esteja perfeito.
Como escritor, quando eu escrevo artigos, escrevo de 10 a 15 esboços e recebo feedback de pelo menos 4 pessoas.
Em todos os casos, é utilizado umas das mais poderosas formas de aprendizado: a repetição espaçada.
As pesquisas tem demonstrado que esquecemos o que aprendemos de forma previsível se não revisarmos ou usarmos o conhecimento obtido. A taxa com qual esquecemos o aprendizado é chamada de: Ebbinghaus Forgetting Curve(curva do esquecimento de Ebbinghaus)
Praticar algo repetitivamente antes que você esqueça, aumenta as chances de que você se lembre para sempre.
No diagrama abaixo, nos vemos como revisar um assunto recentemente estudado faz duas coisas:
- reseta a curva do esquecimento fazendo voltar a 100% do aprendizado.
- A curva se torna menor, o que significa que você retém a informação por mais tempo. Portanto, vale a pena revisar o assunto.
#5) O ensino aproveita naturalmente o “efeito de teste”
Uma das descobertas mais surpreendentes nas ciências da aprendizagem é o efeito de teste.
Quando tentamos praticar o que aprendemos anteriormente, ao tentar buscar a informação na memória, em vez de simplesmente destacá-lo ou revisá-lo por escrito, nossa retenção das informações dispara. Em outras palavras, toda vez que puxamos uma memória, nós a tornamos mais forte e duradoura.
A razão pela qual isso acontece é a: dificuldade desejável – a descoberta de que tarefas de aprendizado que exigem esforço considerável, mas não excessivo, têm maior probabilidade de serem retidas.
Em um estudo, estudantes aprendendo uma lingua estrangeira foram divididos em alguns grupos e a cada um foi dado um estudo e um protocolo de teste:
Aqui está como os pesquisadores resumiram suas descobertas:
- “Os resultados mostram que testar (e não estudar) é o fator crítico para promover a recordação de longo prazo.”
- “Estudo novamente após uma recordação bem-sucedida não produziu nenhum aprendizado mensurável uma semana depois.”
- “A recuperação repetida aumentou a recordação final em 4 desvios padrão (d = 4.03).”
Em outro estudo, os alunos que aprenderam com um livro de ciências que foram testados sobre o que leram lembraram aproximadamente 50% mais do que os alunos que estudaram de outras maneiras. Os pesquisadores concluem dizendo:
“Research on retrieval practice suggests a view of how the human mind works that differs from everyday intuitions. Retrieval is not merely a read out of the knowledge stored in one’s mind – the act of reconstructing knowledge itself enhances learning.”
#6) Ensinar faz você ser mais responsável
Existem diferentes níveis e tipos do comprometimento:
- Compromisso consigo mesmo na sua cabeça. Como resultado do Viés de Consistência, temos uma forte tendência de permanecermos consistentes com nossos compromissos, ideias, pensamentos, palavras e ações anteriores..
- Comprometimento em escrever. Quando nos comprometemos a escrever alguma coisa, se torna mais real. Conseguimos olhar para a coisa. E o comprometimento com nos mesmo se torna mais forte.
- Compromisso com os outros. Quando nos comprometemos com outras pessoas, capitalizamos nossas tendências sociais inatas. É mais provável que sigamos em frente para não perdemos respeito.
- Comprometer-se repetidamente. Quanto mais você se compromete com algo, mais comprometido você se torna.
Ensinar marca todas essas caixas. O que significa que quando você ensina algo, é mais provável que você realmente siga e use os conceitos em sua própria vida. Fundamentalmente, os professores não são apenas canais de informação, eles também são modelos.
#7) Ensinar lhe dá feedback
E não vamos esquecer o óbvio. Quando você ensina, recebe todo tipo de feedback do mundo exterior. Pelas expressões faciais das pessoas, você pode ver se elas estão acompanhando ou confusas, engajadas ou entediadas. As perguntas das pessoas dizem o que é confuso. Como redator de artigos, recebi feedback do número de visualizações e compartilhamentos de um artigo, comentários e mensagens pessoais que recebo. Com tudo isso desenvolvi meu próprio pensamento sobre o assunto